
Em meio a rumores, trocas estratégicas, declarações ambíguas e especulações; esta offseason está recheada de suspense e surpresas, e olha que mal começou. Enquanto isso os torcedores do Jazz, que já estão acostumados com o jeito Kevin O´Connor de ser, ou como ele mesmo disse: "Não vamos fazer grandes trocas", já começa a se perguntar: Como será o verão de 2009?
Não, não estamos falando de aquecimento global, nem mesmo de alguma excursão turística. A questão é como o Jazz, acostumado a manter seus principais jogadores do Rooster e fazer trocas, no mínimo, discretas, vai lidar com a opção de extensão de contrato de 2 dos seus principais jogadores: Carlos Boozer e Mehmet Okur.
Na verdade toda esta discussão começa, na declaração ambígua de Boozer, ao Salt Lake Tribune, onde ele diz que caso venha a optar a sair de seu contrato seria apenas uma questão de negócios (Boozer tem a opção de permanecer no seu contrato e jogar a temporada 2009-2010, ou testar o mercado no melhor estilo "quem pagar mais leva") . Por um lado Boozer bate mostrando que quer um contrato maximizado, e por outro assopra dando a entender que gosta da franquia, e o único motivo que o levaria a sair é dinheiro.
Okur, que possui a mesma player option, embora não tenha exposto abertamente o que pretende com relação a seu contrato, especula-se querer um contrato superior ao seu atual, e ao mesmo tempo é considerado um dos 10 melhores pivôs da liga, o que desperta interesse nas demais franquias.
A primeira vista seria fácil resolver este problema. Basta renovar com Boozer e Okur e tudo ficaria bem. É nesse ponto que a matemática financeira fala mais alto. Com um contrato máximo oferecido a Deron Willians, o contrato gordo de Andrei Kirilenko, além de outros contratos como Matt Harpring e Kyle Korver, seria praticamente impossível ao Jazz oferecer renovação a estes dois sem estourar o cap e pagar a luxury tax (uma taxa que a franquia paga a liga no valor de cada dólar que ela ultrapassar o máximo permitido). Para mais informações sobre os salários dos jogadores, sugiro consultar o link na lateral da página.
Nesta altura, você deve estar se perguntando: Por que, diabos, estou lendo algo sobre a próxima offseason, se essa mal começou? Simples. Não seria este o momento da franquia realizar uma troca de forma a montar um time sólido para as próximas 2 temporadas, aproveitando o mercado aquecido, as oportunidades e a valorização dos jogadores do nosso elenco? Ou vamos esperar o ano que vem e correr o risco de ver Boozer e Okur saírem a troco de nada, e termos mais uma vez que reformular o elenco, com que sobrar da liga? Um bom planejamento para o futuro começa desde já. Vide o caso do New Jersey Nets, que está fazendo trocas estratégicas para receber Lebron James em 2010.
Vejamos o caso, atual, do Golden State Warriors. Um time que foi a sensação da temporada 2006-2007, e brigou até as últimas rodadas para estar nos playoffs da última temporada. Tinha como grande estrela o armador Baron Davis. Pois é, tinha! O mesmo Baron, resolveu aceitar uma proposta do Clippers em claro desacordo com o treinador Don Nelson. Tudo bem que o Warriors cotratou Maggette e Turiaf, mas numa conferência Oeste tão competitiva, o time parece estar fadado, nesta temporada, a brigar por uma lottery pick no próximo draft.
Outro bom exemplo é o próprio Clippers. O astro Elton Brand anunciou aos quatro ventos que prefiria assinar por um valor mais baixo com a franquia desde que formassem um bom elenco para disputar a temporada. O Clippers contratou Baron Davis e por sua vez, Brand...., bem, Brand assinou um gordo contrato com o Sixers e deixou a franquia de Los Angeles a ver navios, procurando um PF de presença para cobrir o buraco no seu elenco.
Numa NBA inflacionada, gordos contratos atraem mais que amor pela franquia. Neste cenário, quem continua no Jazz? E quem vai abandonar o barco? Vejamos um breve perfil dos candidatos:
Carlos Boozer: Peça fundamental no atual esquema de Sloan, ao lado de Deron Willians. Especula-se querer um contrato máximo para renovar. Isto representa quase o dobro de seu salário atual. Já deixou nas entrelinhas que se receber uma proposta melhor, está disposto a mudar de franquia. Já foi envolvido em rumores com o Miami (onde possui residência) e com o Charlotte. Por outro lado, não deve apresentar resistências caso suas exigências sejam atendidas. Ainda é um jogador, que como poucos, crava 20 pontos e 10 rebotes por jogo. Porém suas habilidades defensivas deixam em xeque seu real valor para a franquia de Utah.
Mehmet Okur: Como já dito, um dos 10 melhores pivôs da liga. Na verdade não se sabe com certeza quanto o jogador pedirá para renovar. Se for algo até U$ 12M, seria razoável, mas algo acima dos U$ 15M vai decretar sua saída. Vive uma situação peculiar, pois apesar de ser o dono de médias de 15,4 pontos e 11,8 rebotes nos playoffs, peca num fundamento que seria chave no esquema de Jerry Sloan: os bloqueios. Outro ponto a se considerar é o fato de o Jazz possuir 3 pivôs recém-draftados em seu Rooster, sendo um deles (Kosta Koufos) possuidor das mesmas características de Okur. Seria este um presságio da saída do Turco?
Andrei Kirilenko: Eis um paradoxo para torcedores e fãs do Utah Jazz. Idolatrado por uns e odiado por outros, AK-47 é, de fato, um dos jogadores mais overpaids da liga (recebe muito mais do que produz em quadra), mas é a base do sistema defensivo da equipe. E Sloan sabe disso, e deixou claro ao recusar a troca proposta pelo Suns na offseason passada, mesmo com o russo pedindo para sair. Outro ponto a seu favor foi o notável crescimento de produção que teve nos playoffs, marcando nada mais que T-Mac e Kobe com bastante qualidade. Do ponto de vista financeiro, uma troca de AK por contratos expirantes pode representar a renovação de Boozer e Okur, ou, combinado com um destes, a chegada de um pivô dominante no garrafão. Deve ter seu valor de mercado aumentado após as olimpíadas, onde mais uma vez deve brilhar com a seleção Russa. Caso não seja trocado, não deve sair, pois possui contrato até 2011.
O único fato certo (ou pelo menos, mais provável) é que estes 3 não devem estar juntos no Utah Jazz para a temporada 2009-2010, e seria bom que Larry Miller e Kevin O´Connor botassem suas caixolas para funcionar o quanto antes, ou se não a Dinastia Utah Jazz pode estar com os dias contados...Façam suas apostas!